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Relacionamentos tóxicos… entre tantos temas, escolhi começar falando sobre a pessoa que deveria ser o referencial de segurança e amor na vida de um filho, a MÃE. Inclusive, percebo que pouco se fala sobre esse assunto, como se falar sobre o mal causado por uma mãe tóxica fosse uma espécie de tabu ou até mesmo pecado.

Nesse texto abordarei dois tipos de mães tóxicas, a mãe crítica e a mãe salvadora. No primeiro tipo de relação, a privação emocional está presente e a criança cresce acreditando que tem algo de errado com ela, cria-se a sensação de não ser boa o suficiente, e com isso, busca-se alcançar o reconhecimento e o afeto dessa mãe, porém será algo em vão, pois a comparação e a desqualificação estarão sempre presentes, gerando diminuição da autoestima, autoconfiança e autoimagem.

Para alguém de fora, a relação pode parecer normal, mas para quem vive numa relação assim, é muito desgastante e doloroso. Tanto que nessas datas, os sentimentos podem variar entre tristeza, raiva e/ou culpa.

Nessa relação, a mãe geralmente comporta-se como vítima, não reconhecendo seus próprios erros, e apresenta um padrão emocional imaturo; esperando que os filhos supram o abandono, a carência e a falta de amor presentes em sua vida. Cabe ressaltar que os filhos também não tiveram tais cuidados.

É preciso deixar claro que cada um só oferece aquilo que é possível dentro de seu referencial de vida, isso não significa, que os filhos tenham que aceitar viver eternamente em um ambiente tóxico. Nesse caso, limites são necessários. Além disso, quebrar o padrão estabelecido é essencial, e caso isso não aconteça, as relações futuras poderão sofrer consequências terríveis. Para mudar isso, é essencial investir em autoconhecimento.

Qualquer relação tóxica pode prejudicar, e muito, a vida de uma pessoa. Cabe ressaltar também que relações tóxicas podem ser vividas tanto com a figura materna, quanto paterna. (Utilizarei a figura materna apenas por ser mais comum no consultório).

Ouro tipo de relação tóxica muito comum é a mãe salvadora. Na minha opinião esse é o tipo de relação mais difícil de ser notada, pois a mãe parece ser tão boa, sempre presente, e querendo o melhor para seus filhos, que chega a ser difícil colocar algum limite nessa relação. Afinal, como fazer isso sem parecer ingrata ou magoar o coraçãozinho da pessoa que cuidou de você durante tanto tempo? 🙄

Para ilustrar o que estou falando contarei a história da G. Ela procurou terapia por sentir-se insegura, com dificuldade nos relacionamentos e por perceber-se com uma baixa autoestima.

Nas primeiras sessões falou sobre sua relação familiar, contou que cresceu em um ambiente saudável, no qual nunca faltou nada. G sentia que sua família estava sempre presente e a amava muito.

Por conta disso, não entendia o motivo daqueles sentimentos de inadequação estarem presentes em sua vida, já que tinha uma vida maravilhosa. Quando falou de alguns pontos relacionados à sua infância, foi tendo alguns insights.

Lembrou de uma situação em que sua mãe contou sobre uma casa que compraram em um bairro nobre. Ela dizia que precisaram se mudar para que eles (G e seus irmãos) não sofressem, afinal eles não tinham o mesmo padrão de vida que os vizinhos.

G percebeu que esse evento fez com que ela se percebesse como inferior em relação aos demais. Como se ela não tivesse o direito de se relacionar com pessoas de um nível socioeconômico acima do dela.

Quanto a mãe, ela tinha mania de ajudar à todos, mas se as coisas não eram feitas da forma que ela queria, o aborrecimento era certo. Então, todos acabavam sempre pisando em ovos e evitavam bater de frente com ela. Afinal, ela estava querendo apenas ajudar.

Nessa de fazer tudo pelo outro, inclusive por G, acabava sufocando a filha. Sem que G percebesse, foi se tornando mais insegura em suas decisões, pois só a mãe sabia realmente o que fazer, gerando assim, um sentimento de desqualificação, ou seja, de não ser boa o suficiente. Esse sentimento, fez com que G se tornasse mais dependente em suas relações.

Quando G casou, além da mãe ter aberto todos os presentes recebidos, ela ainda se metia nas decisões da casa, sempre dando pitacos e buscando reconhecimento por seus feitos. Quando o marido reclamava, G não sabia o que fazer, afinal, a mãe já tinha uma certa idade e sempre fazia tudo com a melhor das intenções.

Olhando de fora, parecia ser a família perfeita, semelhante aquelas apresentadas em propaganda de margarina. Mas a percepção foi mudando a partir do momento em que veio para o processo terapêutico. O que antes era “normal”, passou a ser ressignificado.

Atualmente G tem uma boa relação com a mãe, colocando limites quando necessário. A terapia serviu para G se fortalecesse em diversos aspectos, não repetisse alguns padrões nos relacionamentos e aumentasse sua autoestima.

Para sair desse tipo de relação é fundamental passar por um processo terapêutico, pois só através dele que você se fortalecerá emocionalmente para seguir sua vida com liberdade e segurança.